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quarta-feira, 5 de maio de 2021

Dicas de Leitura - Maria Clara Machado

Celebramos o centenário de nascimento da autora Maria Clara Machado, escritora, dramaturga e atriz brasileira, autora de famosas peças infantis e fundadora da escola de teatro O Tablado.

Maria-Clara Machado imagem CCcommons---WikipediaAs Dicas de Leitura de maio homenageiam o centenário da escritora e dramaturga Maria Clara Machado, filha do escritor Aníbal Monteiro Machado e de Aracy Varela Jacob. Nascida em Belo Horizonte viveu no Rio de Janeiro desde pequena até sua morte aos 80 anos, em 30 de abril de 2001. Sua casa sempre foi um ponto de encontro de intelectuais, amigos de seu pai, como Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Di Cavalcanti, Otto Lara Rezende, Rubem Braga, João Cabral de Melo Neto, Moacyr Scliar entre outros. Em 1951 Maria Clara fundou uma das maiores escolas de teatro do Brasil - O Tablado. Escreveu quase trinta peças infantis, vários livros para crianças e três peças para adultos. Em 1991 recebeu o Prêmio Machado de Assis, principal prêmio literário brasileiro oferecido pela Academia Brasileira de Letras (ABL) a escritores brasileiro pelo conjunto de sua obra.

A aventura do teatro
A aventura do teatro é um pequeno manual para os que se interessam por esta arte, mas nunca a experimentaram. A autora aborda com simplicidade aspectos importantes para a escolha e montagem de uma peça. Ela discorre sobre todas as etapas de montagem de um espetáculo – desde a escolha do texto até o processo de produção. Na última parte, a autora publica ainda uma pequena peça para que os leitores possam aplicar os conceitos apresentados no livro.

Pluft, o fantasminha; O dragão verde
"Mamãe, gente existe?" Pluft, o fantasminha, fez essa pergunta pela primeira vez em 1955, no palco do O Tablado, e o teatro infantil brasileiro ganhou seu grande clássico. Durante o sequestro da menina Maribel, Pluft descobre como é uma passagem da vida de filhote de fantasma para o mundo dos fantasmas adultos. Um mundo assombrado por gente de todo o tipo. O dragão verde é um conto de fadas moderno, livremente inspirado no episódio bíblico de Davi e Golias e mostra que a coragem que vem do amor e a sabedoria que vem da experiência podem derrotar a força bruta.

O Rapto das Cebolinhas
O Coronel cultiva em seu sítio três preciosos pés de cebolinha vindas da Índia. Quem toma o chá destas cebolinhas tem garantia de vida longa e alegria. Quando uma cebolinha é roubada da horta o Coronel contrata o Detetive Camaleão Alface para descobrir o ladrão.

A viagem de Clarinha
Um texto que encanta e desperta a criatividade a partir de um simples barquinho de papel entrando em uma viagem fantástica mar adentro, com direito a tubarões, peixes, ondas e muito mais.

Clarinha na ilha
O livro conta a trajetória de uma menina que sobe em um barco de papel, entra pelo cano de sua banheira e encontra uma ilha com tartaruga, macaco, coruja e muitos animais.

Teatro I: A bruxinha que era boa; O rapto das cebolinhas; O Chapeuzinho Vermelho; Pluft, o fantasminha; O boi e o burro no caminho de Belém.

Teatro II: O cavalinho azul; A volta do camaleão Alface; O embarque de Noé; Camaleão na lua.

Teatro III: A menina e o vento; Maroquinhas Fru-Fru; Maria Minhoca; A Gata Borralheira.

Teatro IV: O diamante do Grão-Mogol; Tribobó City; Aprendiz de feiticeiro.

Teatro V: Os cigarras e os formigas; Quem matou o leão?; O patinho feio; Camaleão e as batatas mágicas.

Teatro VI: João e Maria; Um tango argentino; O dragão verde.

Obra sobre a autora:
Maria Clara Machado - Claudia de Arruda Campos (Artistas brasileiros. Teatro, 10)
Sumário: Sobre família e legados, Um teatro sem tradição, Teatro infantil brasileiro: teatro brasileiro, Histórias de um começo, Da magia ao desencanto, De olhos no chão, Infantil por força de expressão, Adendos e arremates, Bibliografia e Notas.

Informações e biografia de Maria Clara Machado na Wikipedia e no teatro O Tablado.

Maria Clara Machado -  O dragão verde - ilustração de Graça Lima

Consulte o nosso catálogo online para saber em quais bibliotecas estes títulos estão disponíveis.  Veja também a lista das bibliotecas pelas regiões de São Paulo. Atenção: o link do título é elaborado por um ISBN para facilitar o direcionamento para o catálogo online. Pesquise também pelo autor, título ou assunto para localizar outras edições e as bibliotecas.

Veja outras Dicas de Leitura.

quinta-feira, 4 de março de 2021

Dicas de Leitura - Ruth Guimarães Botelho

As Dicas de Leitura de março destacam a escritora brasileira Ruth Guimarães,a primeira escritora negra a ser empossada na Academia Paulista de Letras, em junho de 2008. Homenagem a todas as mulheres pelo "Dia Internacional da Mulher" comemorado em 8 de março.

Ruth Guimarães Botelho“Mulher, negra, pobre e caipira – eis as minhas credenciais”, disse Ruth Guimarães num discurso na Bienal Nestlé de Literatura, em 1983. Nascida em Cachoeira Paulista-SP, em 13 de junho de 1920, Ruth Guimarães Botelho, que além de poeta, romancista, contista, cronista, jornalista e teatróloga, notabilizou-se como tradutora e pesquisadora da literatura oral no Brasil e também lecionou Língua Portuguesa por mais de 30 anos em escolas da rede pública de São Paulo. Ainda menina, revelou-se poeta e, aos dez anos de idade, já publicava seus primeiros versos nos jornais A Região e A Notícia, ambos de circulação local. Aos dezoito anos, mudou-se para a capital paulista a fim de prosseguir seus estudos na USP, onde concluiu os cursos de Filosofia e, mais tarde, de Letras Clássicas. Cursou também Folclore e Estética. Como jornalista, colaborou na imprensa paulista e carioca, mantendo também por vários anos uma seção permanente de literatura nas páginas da Revista do Globo, de Porto Alegre, em que resenhava livros, mantinha um concurso de contos, e onde publicou seus primeiros textos literários e traduções. Escreveu, também, crônicas e críticas literárias nas páginas de Correio Paulistano, A Gazeta, Diário de São Paulo, Folha de Manhã e Folha de São Paulo. É como romancista que Guimarães consegue projeção nacional. Em 1946, publica Água Funda, obra aplaudida por intelectuais de peso como Nelson Werneck Sodré e Antonio Candido, que assina o prefácio da segunda edição. Para o crítico, "Ruth Guimarães nos prende porque tem a capacidade de representar a vida por meio da ilusão literária, graças à insinuante voz narrativa que inventou". Foi a primeira escritora negra a ser empossada na Academia Paulista de Letras (Cadeira 22 - Eleita em 5 de junho de 2008). Ruth Guimarães também integrou importantes entidades culturais, como o Centro de Pesquisas Folclóricas Mário de Andrade e a Sociedade Paulista de Escritores.

Dicas de Leitura - Ruth Guimarães

Água Funda: romance
Prefácio de Antonio Candido. Palmeiras (1925), de Tarsila do Amaral, ilustra a capa da 3ª edição de Água funda.
A obra é ambientada na fazenda Olhos D´Água, localizada em uma cidadezinha do interior mineiro, aos pés da Serra da Mantiqueira. Entrelaçando diferentes tempos e personagens, inseridos no universo de uma comunidade rural na Serra da Mantiqueira, a autora construiu uma prosa ágil e fluida, permeada de ditos populares e causos marcados pela superstição e pelo fatalismo, e certos aspectos realismo mágico. É o caso das histórias de Sinhá Carolina, dona da Fazenda Nossa Senhora dos Olhos d’Água, e do casal Joca e Curiango, trabalhadores locais, num arco temporal que vai da época da escravidão até os anos 1930. Como afirma o narrador do livro: “A gente passa nesta vida como canoa em água funda. Passa. A água bole um pouco. E depois não fica mais nada”.

Compadre Jabu: histórias de Jabuti
Às vezes confundido com a tartaruga, este animal vagaroso, cascudo, pesado e, para alguns feio, no imaginário popular tem duas virtudes fundamentais, a paciência e a manha. Essas duas características, similares às dos índios, atribuem ao jabuti uma esperteza e uma inteligência capazes de vencer animais bem mais poderosos. Este é um livro de contos de animais ligados à cultura brasileira, muitos deles em extinção. Além de alertar sobre os valores ambientais da nossa fauna, os contos apresentam um tipo de herói diferenciado do modelo de super-heróis da cultura de massas.

Calidoscópio – a saga de Pedro Malazartes
A pesquisa, que tomou quase uma década, é uma espetacular coletânea de histórias populares, especialmente de cidades dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e da região sul-fluminense, sobre esse herói pícaro brasileiro, Pedro Malazartes.

Lendas e Fábulas do Brasil
24 histórias populares da região Sudeste do país, deliciosamente recontadas (A Pombinha e a Moura-torta; As Três Irmãs;
Pedro Malsartes; Artes de Branca-Flor; A Mãe de Ouro; Os Passarinhos da Figueira; O Advogado do Sacristão; O Saci-pererê; O Principe Papagaio; O Rei que Tinha Orelhas de Burro; A Mãe-D'água; Os Dois Papudos; A Lenda de São Cristovão; Dona Baratinha; Os Três Desejos; entre outras.

Veja também outras obras de Ruth Guimarães disponíveis no acervo do Sistema Municipal de Bibliotecas: Dicionário da mitologia grega, Mulheres célebres, Os filhos do mêdo, Grandes enigmas da história, Histórias da onça, Líderes religiosos.

Links sobre Ruth Guimarães Botelho:
Literafro – portal da literatura afro-brasileira - UFMG - http://www.letras.ufmg.br/literafro/autoras/434-ruth-guimaraes
Wikipedia - https://pt.wikipedia.org/wiki/Ruth_Guimar%C3%A3es
Ruth Guimarães: centenário de uma pioneira - https://revistacult.uol.com.br/home/ruth-guimaraes-centenario/
Instituto Ruth Guimaraes:http://institutoruthguimaraes.org.br/site/vida-e-obra/

Consulte o nosso catálogo online para saber em quais bibliotecas estes títulos estão disponíveis. Veja também a lista das bibliotecas pelas regiões de São Paulo.
Atenção: o link do título é elaborado por um ISBN para facilitar o direcionamento para o catálogo online. Pesquise também pelo autor, título ou assunto para localizar outras edições e as bibliotecas.

Veja outras Dicas de Leitura.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Dicas de Leitura - Vidas Negras Importam (Black Lives Matter) INFANTIL

#BlackLivesMatter #VidasNegrasImportam

É importante para a formação das crianças conversar sobre raça, racismo, preconceito, convívio social, respeito a sí e ao próximo, tradições culturais, e assuntos correlatos. Dando sequência ao tema do movimento ativista internacional Vidas Negras Importam, no inglês Black Lives Matter, cuja campanha é contra a violência direcionada as pessoas negras e o racismo, selecionamos alguns livros infantis de nosso acervo que ajudarão as crianças na compreensão dessas questões. Veja também nossas Dicas de junho com livros adultos sobre o tema. Anote os títulos de seu interesse para emprestá-los após a quarentena da pandemia do Covid-19, tão logo as bibliotecas reabram.

Capas dos livros infantis das dicas de leitura Vidas Negras Importam

Amoras – Emicida, ilustrado por Aldo Fabrini
Primeiro livro do rapper Emicida, fala sobre a importância da valorização de quem somos. “Que a doçura das frutinhas sabor acalanto/ Fez a criança sozinha alcançar a conclusão/ Papai que bom, porque eu sou pretinha também”. O livro traz o enaltecimento da beleza negra por meio de alusões com a natureza e o reconhecimento de si.

Anansi: o velho sábio – Kaleki, ilustrado por Jean-Claude Götting
Em uma espécie de conto dos contos, Kaleki traz a importância de refletir e saber ouvir os outros, levando em conta, antes de tudo, a opinião das mulheres, sua sabedoria e seu espírito prático. O livro revela parte da mitologia axânti (povo de Gana, África Ocidental), onde a história da aranha Anansi simboliza as crenças e os costumes daquela sociedade, como acontece em todo o continente africano, onde o conhecimento e as tradições se transmitiam oralmente, por meio dos griots, os grandes contadores de histórias.

Betina - Nilma Lino Gomes, ilustrado por Denise Nascimento
Pedagoga e primeira reitora negra da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILA, Nilma Lino Gomes acumula reflexões e debates sobre a questão racial no Brasil. Com vasta publicação, a presente ficção é uma das poucas que possui e tão marcante quanto seus textos teóricos. Betina expõe a história de uma menina cuidada por sua avó. Eis que surge o mágico momento do penteado, assim descrito: Depois de todas essas etapas, a avó sentava-se em um banquinho, colocava uma almofada para Betina sentar-se no chão, jogava uma toalha sobre os ombros da menina, dividia o cabelo em mechas e ia desembaraçando, penteando e trançando uma a uma, com rapidez incrível. Enquanto trançava, avó e neta conversavam, cantavam e contavam histórias.

Heroínas Negra Brasileiras em 15 Cordéiss - Jarid Arraes, ilustrado por Gabriela Pires
Munida de referências de cordelista e xilogravurista na família (o pai e o avô, respectivamente), a escritora Jarid Arraes encontra nessa manifestação literária a forma de conscientizar as pessoas sobre a parte que, por muito tempo, foi apagada da história do Brasil: as atitudes e ações de mulheres negras que impactaram o processo de formação do Estado brasileiro. A coletânea traz 15 histórias bem diferentes entre si para mostrar que as mulheres negras têm trajetórias tão diversas quanto a dos homens e podem representar e ocupar múltiplas narrativas, aumentando a consciência de crianças e adolescentes sobre a representatividade negra. Conheça a história de: Antonieta de Barros, Aqualtune, Carolina Maria de Jesus, Dandara dos Palmares, Esperança Garcia, Eva Maria do Bonsucesso, Laudelina de Campos, Luísa Mahin, Maria Felipa, Maria Firmina dos Reis, Mariana Crioula, Na Agontimé, Tereza de Benguela, Tia Ciata e Zacimba Gaba.

O menino Nito - Sonia Rosa, ilustrado por Victor Tavares
Menino não chora? É essa pergunta que o livro se propõe a refletir ao longo da obra. Com vários títulos que falam sobre as tradições populares de matrizes africanas no Brasil, como o Jongo, Maracatu e outras influências africanas nos esportes e culinária incorporadas no país, a contadora de história e professora Sonia Rosa traz o debate da formação da masculinidade em crianças como Nito. O menino Nito revela um percurso de desconstrução da masculinidade hoje identificada como tóxica, nociva e violenta esperada para homens na infância e que precisa ser repensada.

Meu crespo é de rainha – bell hooks, ilustrado por Chris Raschka
A obra celebra a beleza e a diversidade dos cabelos crespos e cacheados apresentando às meninas brasileiras diferentes penteados e cortes de cabelo de forma positiva, alegre e elogiosa. Em forma de poema rimado e ilustrado é um livro para ser lido em voz alta, indicado para crianças a partir de três anos de idade, e também para mães, irmãs, tias e avós se orgulharem de quem são e de seu cabelo "macio como algodão” e "gostoso de brincar". O livro enaltece a beleza dos fenótipos negros, exaltando penteados e texturas afro, serve de referência à garota que se vê ali representada e admirada. A obra de bell hooks incentiva a liberdade de expressar a individualidade. Os rituais implícitos no livro estão enraizados nas tradições da própria infância, quando "fazer" o cabelo é uma boa desculpa para as meninas se reunirem, rirem e contarem histórias juntas.

Minha mãe é negra sim! - Patrícia Santana, ilustrado por Hyvanildo Leite
Doutora em Educação pela UFMG, Patrícia Maria de Souza Santana resgata a importância das crianças saberem sua origem e também se posicionar. Minha mãe é negra sim! mostra a história do garoto Eno, um menino negro que percebe o preconceito da professora, através da sugestão que ela dera, em sala de aula, para que ele pintasse o desenho da mãe, negra, na cor amarela, que ela considerava mais bonita. O incômodo de Eno reflete os vários modos como o racismo atravessa o psicológico da criança negra. Por fim, seu avô o ensina a identificar e valorizar desde a cor preta até costumes da cultura negra presentes na família e na história, fortalecendo sua autoestima e construindo, com o menino, um repertório cultural.

O mundo no black power de Tayó - Kiusam de Oliveira, ilustrado por Taisa Borges
Tayó é uma menina negra que tem orgulho do cabelo crespo com penteado black power, enfeitando-o das mais diversas formas. A autora apresenta uma personagem cheia de autoestima, capaz de enfrentar as agressões dos colegas de classe, que dizem que seu cabelo é “ruim”. Mas como pode ser ruim um cabelo fofo, lindo e cheiroso? “Vocês estão com dor de cotovelo porque não podem carregar o mundo nos cabelos”, responde a garota para os colegas. Com essa narrativa, a autora transforma o enorme cabelo crespo de Tayó numa metáfora para a riqueza cultural de um povo e para a riqueza da imaginação de uma menina sadia.

A Neta de Anita - Anderson de Oliveira, ilustrado por Alexandre Rampazo
Aqui, Anderson Oliveira traz o debate sobre a visibilidade das pessoas com deficiência visual. Conta a história de Tainá, uma menina negra e cega, que encontra na avó o amparo e descobertas. A narrativa envolve o leitor na construção da compreensão de mundo da menina. Tainá ouve cochichos em referência ao seu aspecto físico, o que a faz desabafar com a avó, com quem divide o teto. Após um percurso de autodescoberta, ela descobre também que a essência das coisas está justamente no fato de serem diferentes. A importância das griôs (ou griots) - contadores ou contadoras de história na África - fica ainda mais evidente.

Os nove pentes d’África - Cidinha da Silva, ilustrado por Iléa Ferraz
Pesquisadora de relações raciais e com vários livros publicados, Cidinha da Silva elabora a primeira obra infanto-juvenil a pedido de uma sobrinha de seis anos. Conta a história de uma família, cujo percurso é narrado pela Barbara, personagem principal e uma dos nove netos do vô Francisco e vó Berta. A retomada da narrativa familiar permite ao leitor compreender a importância dos momentos de contação de histórias em sua família e na tradição oral como um todo.

Sinto o que sinto – Lázaro Ramos, ilustrado por Ana Maria Sena
Mesmo para os adultos, lidar com os sentimentos nem sempre é fácil. Isso é o que Dan, personagem principal dessa história, percebe ao longo de seu dia, enfrentando diferentes situações que o fazem ter de encarar uma mistura bastante diversa de sentimentos. E à noite, já em casa e quase pronto para ir dormir, Dan ouve uma história muito especial de seu avô sobre seus ancestrais. O livro de Lázaro Ramos tem como objetivo ajudar as crianças a entender que é normal sentir raiva, alegria, orgulho, tudo ao mesmo tempo. Aprender a identificar e a nomear tais sentimentos é muito importante para o desenvolvimento emocional do ser humano. Além disso, a obra mostra a importância de se valorizar a nossa ancestralidade.

 As tranças de Bintou - Sylviane A. Diouf, ilustrado por Shane W. Evans
Com vasta produção literária sobre a cultura africana, a autora nos mostra uma história comovente e que permite repensar o Brasil através dos costumes africanos. O livro resgata a valorização da estética negra, por meio das situações que a pequena Bintou vivencia ao desejar ter as tranças nos cabelos iguais às de sua irmã mais velha. O desejo de tirar seus "birotes" vai revelando a compreensão que Bintou tinha de si mesma e reconstruindo seu olhar. A história encanta pela maneira cuidadosa e doce com que trata, a partir de um contexto cultural específico, um momento universal: a passagem da infância para a adolescência. Um livro que nos revela a beleza de cada fase da vida e nos permite repensar o Brasil por meio dos costumes africanos.
 

   
Leia sobre o movimento Vidas Negras Importam, tradução de Black Lives Matter na Wikipedia e no site oficial do movimento

  

Consulte o Catálogo Online para saber em quais bibliotecas estão disponíveis estes e outros livros. Pesquise pelos assuntos racismo, preconceito, negros, discriminação racial, condições raciais, relações raciais, entre outros.
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Veja aqui as Dicas de Leitura - Vidas Negras Importam (Black Lives Matter) livros adultos e outras Dicas de Leitura de temas variados.


quinta-feira, 18 de junho de 2020

Dicas de Leitura - Vidas Negras Importam (Black Lives Matter)

#BlackLivesMatter
#VidasNegrasImportam

A segunda seleção de livros das Dicas de Leitura de junho se vale do tema do movimento ativista internacional Vidas Negras Importam, no inglês Black Lives Matter, criado em 2013 nos Estados Unidos, cuja campanha é contra a violência direcionada as pessoas negras e o racismo. Com o uso da hashtag #BlackLivesMatter em mídias sociais, o movimento tem se espalhado pelo mundo em solidariedade às vítimas de violência policial e tem despertado a necessidade de união para ações antirracistas e discriminatórias. Somando-se a vários movimentos negros também no Brasil, debate abertamente o racismo e defende que todas as existências têm o mesmo valor e que todas as pessoas são cidadãos de direito. Escolha os títulos de seu interesse para emprestá-los  tão logo as bibliotecas voltem a funcionar, após a quarentena da pandemia do Covid-19.
 Dicas de Leitura  - Vidas Negras Importam (Black Lives Matter)

Dicionário da Escravidão e Liberdade: 50 textos críticos - Organizadores: SCHWARCZ, Lilia Moritz e GOMES, Flávio dos Santos
"A meia centena de ensaios concisos que Lilia Moritz Schwarcz e Flávio dos Santos Gomes reuniram neste volume, com título e intenção de ser um dicionário temático, mostra a grande quantidade de faces que compõem o que é um poliedro em movimento. Cada um desses textos convida a novos textos, a novas pesquisas, a aprofundamentos, a novas comparações e a contestações. Não faltam neste livro parágrafos sobre a espera, a busca e a obtenção da liberdade. Sobre a liberdade como antônimo de escravidão, mas que com ela coexiste para a ela se opor. Se estes ensaios nos dizem que o passado é sem esperança de conserto, eles não nos deixam esquecer que não há sombra sem luz." Do prefácio de Alberto da Costa e Silva .

Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade - HOOKS, bell
Escritora, professora e intelectual negra insurgente, bell hooks  (escrito em minúsculaspara dar enfoque ao conteúdo da sua escrita e não à sua pessoa) escreve sobre um novo tipo de educação, a educação como prática da liberdade. Para hooks, ensinar os alunos a "transgredir" as fronteiras raciais, sexuais e de classe a fim de alcançar o dom da liberdade é o objetivo mais importante do professor. Ensinando a transgredir, repleto de paixão e política, associa um conhecimento prático da sala de aula com uma conexão profunda com o mundo das emoções e sentimentos. É um dos raros livros sobre professores e alunos que ousa levantar questões críticas sobre Eros e a raiva, o sofrimento e a reconciliação e o futuro do próprio ensino. Segundo a autora "a educação como prática da liberdade é um jeito de ensinar que qualquer um pode aprender". Tradução de: Teaching to transgress.

A liberdade é uma luta constante
- DAVIS, Angela

O livro da ativista política Angela Davis reúne uma ampla seleção de seus artigos, discursos e entrevistas realizados em diferentes países entre 2013 e 2015, organizados pelo militante dos direitos humanos Frank Barat. Os textos trazem reflexões sobre como as lutas históricas do movimento negro e do feminismo negro nos Estados Unidos e a luta contra o apartheid na África do Sul se relacionam com os movimentos atuais pelo abolicionismo prisional e com a luta anticolonial na Palestina. Além de sua reconhecida atuação política no combate ao racismo, Davis denuncia também o sexismo, demonstrando de forma muito objetiva a relação entre a violência contra a mulher e a violência do Estado. Diante das injustiças globais, Angela Davis inspira o leitor a imaginar e construir um movimento de libertação de todos os seres humanos. Organização de Frank Barat.

Lugar de fala
- RIBEIRO, Djamila
A intenção da coleção Feminismos Plurais é trazer para o grande público questões importantes referentes aos mais diversos feminismos de forma didática e acessível. Com o objetivo de desmistificar o conceito de lugar de fala, Djamila Ribeiro contextualiza o indivíduo tido como universal numa sociedade cisheteropatriarcal eurocentrada, para que seja possível identificarmos as diversas vivências específicas e, assim, diferenciar os discursos de acordo com a posição social de onde se fala.

Mulheres, raça e classe
- DAVIS, Angela
Mais importante obra de Angela Davis, traça um poderoso panorama histórico e crítico das imbricações entre a luta anticapitalista, a luta feminista, a luta antirracista e a luta antiescravagista, passando pelos dilemas contemporâneos da mulher. O livro é considerado um clássico sobre a interseccionalidade de gênero, raça e classe. A perspectiva adotada por Davis realça o mérito do livro: desloca olhares viciados sobre o tema em tela e atribui centralidade ao papel das mulheres negras na luta contra as explorações que se perpetuam no presente, reelaborando-se. O reexame operado pela escrita dessa ativista mundialmente conhecida é indispensável para a compreensão da realidade do nosso país, pois reforça a práxis do feminismo negro brasileiro, segundo o qual a inobservância do lugar das mulheres negras nas ideias e projetos que pensaram e pensam o Brasil vem adiando diagnósticos mais precisos sobre desigualdade, discriminação, pobreza, entre outras variáveis.

A nova segregação: racismo e encarceramento em massa
- ALEXANDER, Michelle
Esta obra busca revelar os alicerces do racismo estrutural no coração da democracia liberal moderna. O livro desafiou a noção de que o governo Obama assinalava o advento de uma nova era pós-racial. A edição brasileira tem apresentação de Ana Luiza Pinheiro Flauzina, orelha de Alessandra Devulsky, revisão técnica e notas Silvio Luiz de Almeida. Pedro Davoglio assina a tradução. Tradução de: The new Jim Crow: mass incarceration in the age of colorblindness.

Quem tem medo do feminismo negro?
-  RIBEIRO, Djamila
A obra reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista CartaCapital, entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação. Foi apenas no final da adolescência, ao trabalhar na Casa de Cultura da Mulher Negra, que Djamila entrou em contato com autoras que a fizeram ter orgulho de suas raízes e não mais querer se manter invisível. Desde então, o diálogo com autoras como Chimamanda Ngozi Adichie, bell hooks, Sueli Carneiro, Alice Walker, Toni Morrison e Conceição Evaristo é uma constante. Muitos textos reagem a situações do cotidiano — o aumento da intolerância às religiões de matriz africana; os ataques a celebridades como Maju ou Serena Williams – a partir das quais Djamila destrincha conceitos como empoderamento feminino ou interseccionalidade. Ela também aborda temas como os limites da mobilização nas redes sociais, as políticas de cotas raciais e as origens do feminismo negro nos Estados Unidos e no Brasil, além de discutir a obra de autoras de referência para o feminismo, como Simone de Beauvoir.

Racismo no Brasil
- SCHWARCZ, Lilia Moritz
No Brasil, ninguém é racista. São sempre os outros. Numa pesquisa da Universidade de São Paulo, 97% dos entrevistados afirmaram não ter preconceito, mas 98% disseram conhecer pessoas que manifestavam, de algum modo, discriminação racial. O fato é que, na sociedade brasileira, tão marcada pela desigualdade e pelos privilégios, a "raça" fez e faz parte de uma agenda pautada por duas atitudes: a exclusão social e a assimilação cultural. Nesse contexto, torna-se especialmente importante pensar sobre o mito da nossa "democracia racial". Amparado num resumo histórico dos padrões de discriminação e miscigenação, este livro chega a conclusões surpreendentes sobre os modelos de relacionamento racial em nosso país.

Racismo estrutural
- ALMEIDA, Silvio
Nos anos 1970, Kwame Turu e Charles Hamilton, no livro "Black Power", apresentaram pela primeira vez o conceito de racismo institucional: muito mais do que a ação de indivíduos com motivações pessoais, o racismo está infiltrado nas instituições e na cultura, gerando condições deficitárias a priori para boa parte da população. É a partir desse conceito que o autor Silvio Almeida apresenta dados estatísticos e discute como o racismo está na estrutura social, política e econômica da sociedade brasileira.

O Racismo e o Negro no Brasil:  questões para a psicanálise
- Organizadores: Kon, Noemi Moritz; Silva, Maria Lúcia da; Abud, Cristiane Curi
"O Brasil é racista, mas eu não. ” No Brasil, a dificuldade de perceber a dimensão da questão racial trava o processo de construção e constituição do país como nação. Sabendo que a psicanálise, e todos os saberes, segue a música dos acontecimentos históricos e culturais, a editora Perspectiva oferece ao leitor um profundo e candente debate sobre o espinhoso tema do racismo e preconceito no Brasil ao tornar livro o ciclo de palestras realizado em 2012, em São Paulo, pelo Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae sobre o assunto, uma reflexão dos tempos e espaços que nos trouxeram ao Brasil do anos 2000. Afinal, em que contexto estamos imersos e quais questões o travessam? Como explicar a cruel tendência de invisibilizar e subjugar, através do ideal da brancura, o não branco? Como tratar a questão do racismo no Brasil, que perdura e se agarra a um passado escravagista que, ainda hoje “cobre nosso tecido social, sobrevivendo com tenaz resistência aos humores do tempo”?

Outra educação é possível: feminismo, antirracismo e inclusão em sala de aula
- TOLENTINO, Luana
Crônicas que evidenciam as experiências da autora vividas ao longo de dez anos à frente de turmas dos Ensinos Fundamental e Médio. O livro chama a atenção para a importância da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da História e da Cultura Africana e Afro-brasileira no currículo escolar, uma porta que abriu caminhos para estruturar uma política educacional que incentivou e continua a incentivar práticas pedagógicas que buscam combater o racismo no território escolar.

Dicas de Leitura relacionadas publicadas anteriormente

Dicas de Leitura - Consciência Negra

Em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra em 20 de novembro, selecionamos para as Dicas de Leitura do mês algumas obras disponíveis no acervo das bibliotecas que possibilitam uma reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.Obras selecionadas: Carolina Maria de Jesus: uma escritora improvável (Joel Rufino dos Santos); Eu sei por que o pássaro canta na gaiola (Maya Angelou); Olhos d'água (Conceição Evaristo); Pretextos de mulheres negras (org. Carmen Faustino e Elizandra Souza); Romantismo brasileiro: amor e morte - estudo sobre José de Alencar e Maria Firmina dos Reis; Sagrado sopro (Raquel Almeida); Terra fértil (Jenyffer Nascimento); Úrsula (Maria Firmina dos Reis). (novembro 2019)

Dicas de Leitura - Toni Morrison

A escritora norte americana Toni Morrison faleceu dia 5 de agosto aos 88 anos. Toni foi a primeira mulher negra a ganhar o Nobel de Literatura em 1993 e é a ela que dedicamos esta edição das Dicas de Leitura. Obras selecionadas: Amada - (Beloved), Amor - (Love), A Canção de Solomon - (Song of Solomon), Compaixão - (Mercy), Jazz, O olho mais azul - (The Bluest Eye), O que me diz, Louise? - (Please Louise), Paraíso - (Paradise), Pérola Negra - (Tar baby), Quem leva a melhor?: novas fábulas de Esopo - (Who's Got Game?: The Ant or the Grasshopper? The Lion or the Mouse? Poppy or the Snake?, Voltar para casa - (Home), Toni Morrison: great American writer, Toni Morrison, Extraordinary American writers. (agosto 2019)

Dicas de Leitura - Dia Internacional contra a Discriminação Racial

O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial foi criado pela Organização das Nações Unidas e celebra-se em 21 de março em referência ao Massacre de Sharpeville. Esta é uma importante data que reforça a luta contra o preconceito racial em todo o mundo. Obras selecionadas: A Invenção das Asas, Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola, Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis, Kindred: Laços de sangue, Na Minha Pele, Nem preto nem branco muito pelo contrário: cor e raça na sociabilidade brasileira, No Seu Pescoço, O correspondente estrangeiro, Negras Raízes, Um defeito de cor. (março de 2019)

Dicas de Leitura - Escritoras Africanas

As Dicas de Leitura de abril de 2018 apresentam escritoras da Nigéria, Zimbábue, Camarões, Moçambique, África do Sul e Egito. Autoras e suas obras disponíveis nas bibliotecas:
Chimamanda Ngozi Adichie: Americanah, Hibisco roxo, Meio sol amarelo, Para educar crianças feministas, Sejamos todos feministas. Léonora Miano: Contornos do dia que vem vindo. J. Nozipo Maraire: Zenzele. Lina Magaia: Dumba Nengue - histórias trágicas do banditismo. Nadine Gordimer: O amante da natureza, A arma da casa, Beethoven era 1/16 negro e outros contos, Contando histórias, De volta à vida, O engate, O falecido mundo burguês, A filha de Burger, A gente de July, A história do meu filho, O melhor tempo é o presente, Numa segunda-feira de certeza, O pessoal de July, Tempos de reflexão, Um capricho da natureza, Um mundo de estranhos, Uma mulher sem igual. Nawal El Saadawi: A face oculta de Eva. (abril de 2018)

Dicas de Leitura - Consciência Negra no Brasil

Conheça um pouco mais sobre a história dos negros no nosso país. Veja algumas dicas de leitura e contações de histórias com a temática África e Brasil que acontecem nas bibliotecas. Obras selecionadas: 20 de novembro - A consciência nasceu na luta, A cor do preconceito, História e cultura afro-brasileira, O negro no Brasil de hoje, Racismo – A verdade dói. Encare, Tramas da Cor: Enfrentando o preconceito no dia-a-dia escolar. (novembro de 2011)

Leia sobre o movimento Vidas Negras Importam, tradução de Black Lives Matter na Wikipedia e no site oficial do movimento


  

Consulte o Catálogo Online para saber em quais bibliotecas estão disponíveis estes e outros livros. Pesquise pelos assuntos racismo, preconceito, negros, discriminação racial, condições raciais, relações raciais, entre outros.
Atenção: o link do título é elaborado por um ISBN para facilitar o direcionamento para o catálogo online. Pesquise também pelo autor, título ou assunto para localizar outras edições e as bibliotecas
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quarta-feira, 6 de maio de 2020

Dicas de Leitura - Livros, filmes e cursos online

Em tempos de quarentena, devido a pandemia de Covid-19, temos o mundo virtual como alternativa de entretenimento e aprendizado. Há várias instituições que disponibilizam seus acervos online, algumas temporariamente, outras com acervos abertos permanentes. Selecionamos algumas fontes de informação para sua busca por livros, filmes e cursos online grátis.
Dicas de Leitura - Livros, filmes e cursos online
LIVROS
Biblioteca Nacional
A BNDigital disponibiliza documentos em domínio público ou com autorização de publicação do titular do direito autoral. Explore o Acervo Digital: são mais de 2 milhões de documentos de livre acesso. Há várias coleções em destaque por assuntos.
Acervo Digital - materializa duas das tradicionais missões das bibliotecas nacionais: preservar a memória cultural e proporcionar o amplo acesso às informações contidas em seu acervo.
Hemeroteca Digital - Pesquise os periódicos no acervo da Hemeroteca.

Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo
Livros infantis e adultos em pdf acessíveis online. Várias obras são inseridas periodicamente.

Portal de Livros Abertos da USP
A Universidade de São Paulo disponibilizou 2.239 livros digitais e gratuitos para que você possa baixar e ler quando quiser. Os livros que foram liberados tem temas como história, literatura, política, romance, artes entre outros.

Domínio Público
O Portal Domínio Público disponibiliza informações e conhecimentos de forma livre e gratuita, busca incentivar o aprendizado, a inovação e a cooperação entre os geradores de conteúdo e seus usuários, ao mesmo tempo em que também pretende induzir uma ampla discussão sobre as legislações relacionadas aos direitos autorais e adequação aos novos paradigmas de mudança tecnológica, da produção e do uso de conhecimentos.

Projeto Gutenberg
Esforço voluntário para digitalizar, arquivar e distribuir obras culturais. Fundado em 1971, é a mais antiga biblioteca digital. A maioria dos itens no seu acervo são textos completos de livros em domínio público. O projeto tenta torná-los tão livres quanto possível, em formatos duradouros e abertos, que possam ser usados em praticamente quaisquer computadores.
Livros em português -O Project Gutenberg oferece-lhe mais de 38.000 livros eletrónicos gratuitos: escolha entre livros grátis em formato epub ou livros grátis em formato kindle, descarregue-os ou leia-os em linha.

Livros de arte - Metropolitan Museum of Art, de Nova York,
Download gratuito de mais de 500 livros publicados entre 1964 e 2019 compreendem todo o período da história da arte. Disponíveis para download no formato PDF ou para leitura on-line.

Elsevier (acesso com período limitado)
A Elsevier está disponibilizando seu acervo online que conta com acesso a 250 títulos de livros didáticos de todas as áreas do conhecimento presentes na ScienceDirect, principal plataforma da editora. A ação faz parte do enfrentamento ao COVID-19 e o distanciamento social. Você pode acessar no link oficial da Elsevier:

Audible - audiolivros (acesso com período limitado)
Infantis e de adulto para stream grátis no computador desktop, notebook, tablet ou celular. Há audiolivros em inglês, espanhol, italiano, francês, alemão entre outros.
Audible Discover - Escute em português - 27 livros em português.

Amazon - Kindle
Vários livros de graça que variam conforme a época. É necessário baixar o app e fazer login

Revista dos Tribunais Online da Thomson Reuters (periodo limitado)
Plataforma digital de pesquisa jurídica que reúne em um único lugar as principais Fontes do Direito, como: artigos doutrinários de renomados especialistas, legislação atualizada e jurisprudência dos Tribunais Judiciários, somada ao uso de tecnologia inovadora com buscadores poderosos, filtros eficazes e as principais funcionalidades necessárias para os profissionais e estudantes de direito. Livre até 31 de maio de 2020.

Baixe livro
Materiais em domínio público e com pequenos trechos das obras (amostras) cedidas para divulgação ou promoção.

CINEMA & STREAMING

SPCine Play
A Spcine Play é a única plataforma pública de streaming do Brasil. Exibe conteúdos exclusivos da programação cultural da cidade de São Paulo. São shows, espetáculos e performances para assistir sem sair de casa. Por lá, ainda dá pra encontrar raridades de cineastas clássicos do cinema Brasileiro, como Hector Babenco, Zé do Caixão e Suzana Amaral. O serviço está disponível para todo Brasil.

Festival Varilux
Catálogo Varilux do festival de filmes francófonos. Seleção de 50 grandes filmes das últimas edições do Festival Varilux de Cinema Francês em casa de graça até o dia 25 de agosto. Comédias, dramas, filmes históricos, fantásticos e infantis, a seleção é diversa e recente.

 CURSOS ONLINE
Trilhas de Aprendizagem
Cadernos Trilhas de Aprendizagens - A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME) disponibiliza para consulta e download os materiais de estudo que acompanharão os estudantes durante o período de emergência decorrente da pandemia da Covid – 19 (Coronavírus).

Senai - Serviço Nacional da Indústria
Por meio dos cursos a distância, o SENAI-SP promove a educação profissional e tecnológica, a inovação e a transferência de tecnologias industriais, contribuindo para elevar a competitividade da indústria brasileira. Há cursos gratuitos.

CIEE Saber Virtual Pro e CIEE Saber Virtual
O Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE possui diversos programas, dentre eles o de aprendizagem e o estágio de estudantes, possibilita aos adolescentes e jovens uma formação integral, ingressando-os ao mundo do trabalho.

Senac - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
Para quem quer ingressar, se atualizar ou aperfeiçoar conhecimentos e estar pronto para os constantes desafios do mercado de trabalho, os cursos livres a distância (formação inicial, aperfeiçoamento ou atualização) garantem a oportunidade de um desenvolvimento contínuo. São diversas ofertas, em vários segmentos, como Idiomas, Turismo, Beleza, Informática e Hospitalidade. Muitas programações são oferecidas por meio da WebTV que utiliza videoaulas transmitidas via streaming como principal recurso didático, facilitando e estimulando o aprendizado.
No Senac EAD, você encontra cursos on-line para diferentes níveis de escolaridade.

Sebrae  cursos online
O Sebrae oferece mais de 85 cursos a distância gratuitamente, pensados de acordo com a necessidade do empresário e atualizados conforme as inovações no mercado. O EaD é uma pedagogia inovadora onde existe variedade de conteúdo e proporciona economia de tempo e dinheiro. Aproveite a quarentena para se capacitar com os cursos, e-books e jogos. Informações para enfrentar a crise do Coronavírus

Khan Academy
Possui conteúdos de Matemática, Ciências e Língua Portuguesa alinhados à BNCC do Ensino Fundamental. Encontre exercícios, vídeos e artigos e comece a usar com seus alunos!

FGV online
A Fundação Getulio Vargas foi a primeira instituição brasileira a ser membro do OEC – Open Education Consortium, um consórcio de instituições de ensino de diversos países que oferecem conteúdos e materiais didáticos sem custo, pela internet.

USP- Universidade de São Paulo
Oferece, por meio de diversos portais na internet, aulas gratuitas e conteúdos variados com professores e pesquisadores da instituição. Os cursos possuem textos, vídeos, áudios e apresentações que podem ser consultados a qualquer horário, já que estão on-line.
Portal de aulas virtual Veja os vídeos disponíveis no e-Aulas em cada nível de ensino: graduação, pós graduação, nível médio e cultura e extensão
Canal USP no Youtube
Coursera - Cursos e Programas de cursos integrados
Univesp - Universidade Virtual do Estado de São Paulo

Harvard University
Cursos variados da Universidade de Harvard (em inglês).
Atividades Criativas Faber-Castell  (acesso com período limitado)
Como a recomendação é ficar em casa, a Faber-Castell liberou o acesso gratuito a todos os cursos da plataforma online.

Mantenha-se informado sobre Coronavírus nos sites Secretaria Municipal de Saúde, Governo do Estado de São Paulo - Coronavirus, e Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde (Brasil)
Lave as mãos e fique em casa
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terça-feira, 31 de março de 2020

Dicas de Leitura - Pandemias



No passado algumas epidemias foram tão intensas que quase chegaram a aniquilar cidades inteiras: as Pestes Negra, do Egito, Antonina, Cipriano e Justiniano são alguns exemplos de epidemias de febre tifóide, varíola, sarampo e bubônica. As pandemias de tifo, cólera e de gripes, como a asiática, espanhola, suína e agora o coronavírus são preocupações para toda a humanidade, e muitas são relatadas na literatura.

Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou o surto de COVID-19 (coronavirus) como uma pandemia, ou seja uma epidemia de doença infecciosa que se espalha entre a população de uma grande região geográfica como um continente ou mesmo o Planeta Terra. Vivendo nesta nova realidade, enfatizamos a importância da prevenção de doenças, seja com hábitos de higiene, vacinas e outras políticas públicas de saúde, sanitária e também pelas experiências passadas. Procuramos trazer para as Dicas de Leitura de março livros conhecidos pelo tema ou pelas épocas de sérias epidemias. De obras clássicas a publicações recentes, fatos reais e fictícios, os autores apresentam suas visões para que os leitores interpretem e absorvam suas histórias.

Lisboa não tem beijos nem abraços
Não tem risadas ou terraços.
E nem passagens
Ou apertos de mão entre garotas e garotos
Tem praças cheias de ninguém.
Ainda tem sol, mas não tem.

Não a gaivota da Amália nem vela nenhuma

não restaurantes ou bares nem cinema
 
Ainda é fado é poesia ainda
Fechada dentro de si mesma é Lisboa ainda
cidade abertaAinda a Lisboa de Pessoa alegre e triste.Que em todas as ruas desertas
Ainda resiste.

Lisboa ainda - Manuel Alegre - 20 de março de 2020

 Dicas de leitura - Pandemias

O amor nos tempos do cólera - GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel
Ainda muito jovem, o telegrafista, violinista e poeta Gabriel Elígio Garciá se apaixonou por Luiza Márquez, mas o romance enfrentou a oposição do pai da moça, coronel Nicolas, que tentou impedir o casamento enviando a filha ao interior numa viagem de um ano. Para manter seu amor, Gabriel montou, com a ajuda de amigos telegrafistas, uma rede de comunicação que alcançava Luiza onde ela estivesse. Essa é a história real dos pais de Gabriel García Márquez e foi ponto de partida de 'O amor nos tempos do cólera', que acompanha a paixão do telegrafista, violinista e poeta Florentino Ariza por Fermina Daza.

A cavalo pálido, cavaleiro pálido - PORTER, Katherine Anne
Cavalo Pálido, Pálido Cavaleiro (1939) é uma reflexão profunda sobre a natureza humana e a futilidade da guerra. Reúne três novelas essenciais na obra de Katherine Anne Porter: Velha Mortalidade, O Vinho do Meio-Dia e o conto que dá nome a este tríptico, tido pela obra-prima da autora. Estudo magistral sobre o mal, O Vinho do Meio-Dia é uma história de ganância e crime numa quinta do Sul do Texas, inspirada na paisagem de infância da autora. Em Velha Mortalidade e em Cavalo Pálido, Pálido Cavaleiro, enredam-se a infância, dominada pela enigmática figura da tia Amy e por histórias de família, e a vida adulta da heroína Miranda, alter ego da autora. Num brilhante exercício de escrita, Cavalo Pálido, Pálido Cavaleiro revela a mente febril de Miranda, os seus delírios e memórias estilhaçadas, quando, vítima da gripe espanhola, está à beira da morte.

A dança da morte - KING, Stephen
Após um erro de computação no Departamento de Defesa, um vírus é liberado, e um milhão de contatos casuais formam uma cadeia de morte: é assim que o mundo acaba. O que surge em seu lugar é um ambiente árido, sem instituições e esvaziado de 99% da população. É um lugar onde sobreviventes em pânico escolhem seus lados ou são escolhidos. Os bons se apoiam nos ombros frágeis de Mãe Abigail, com seus cento e oito anos de idade, enquanto todo o mal é incorporado por um indivíduo de poderes indizíveis: Randall Flagg, o homem escuro. Neste livro, King cria uma história épica sobre o fim da civilização e a eterna batalha entre o bem e o mal. Com sua complexidade moral, ritmo eletrizante e incrível variedade de personagens, A dança da morte merece um lugar entre os clássicos da literatura contemporânea.

O enigma de Andrômeda - CRICHTON, Michael
Quando um misterioso elemento espacial aniquila uma cidade no estado do Arizona, a maior crise já vista na ciência se inicia na procura por respostas. E dois sobreviventes podem ser a chave para conter uma tragédia ainda maior. De Michael Crichton, mesmo autor de Jurassic Park e o Mundo Perdido, o techno-thriller O Enigma de Andrômeda inspirou um filme homônimo, lançado em 1971, que tornou-se referência para os fãs de ficção científica. Mais tarde, em 2008, Ridley Scott adaptou o livro para uma série de TV, que ganhou indicações para o Emmy Awards.

Ensaio sobre a cegueira - SARAMAGO, José
Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma "treva branca" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas.O Ensaio sobre a cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti. Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu: "uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos".

Estação onze- MANDEL, Emily St. John
Certa noite, o famoso ator Arthur Leander tem um ataque cardíaco no palco, durante a apresentação de Rei Lear. Jeevan Chaudhary, um paparazzo com treinamento em primeiros socorros, está na plateia e vai em seu auxílio. A atriz mirim Kirsten Raymonde observa horrorizada a tentativa de ressuscitação cardiopulmonar enquanto as cortinas se fecham, mas o ator já está morto. Nessa mesma noite, enquanto Jeevan volta para casa, uma terrível gripe começa a se espalhar. Os hospitais estão lotados, e pela janela do apartamento em que se refugiou com o irmão, Jeevan vê os carros bloquearem a estrada, tiros serem disparados e a vida se desintegrar. Quase vinte anos depois, Kirsten é uma atriz na Sinfonia Itinerante. Com a pequena trupe de artistas, ela viaja pelos assentamentos do mundo pós-calamidade, apresentando peças de Shakespeare e números musicais para as comunidades de sobreviventes. Abarcando décadas, a narrativa vai e volta no tempo para descrever a vida antes e depois da pandemia. Enquanto Arthur se apaixona e desapaixona, enquanto Jeevan ouve os locutores dizerem boa-noite pela última vez e enquanto Kirsten é enredada por um suposto profeta, as reviravoltas do destino conectarão todos eles. Impressionante, único e comovente, Estação Onze reflete sobre arte, fama e efemeridade, e sobre como os relacionamentos nos ajudam a superar tudo, até mesmo o fim do mundo.

Morte em Veneza - MANN, Thomas
Em A Morte em Veneza, Thomas Mann apresenta uma escrita complexa e profunda, onde quase cada parágrafo pode ter várias leituras. Em contraponto, o enredo é praticamente inexistente: um homem de meia-idade viaja até Veneza, apaixona-se platonicamente por um jovem rapaz polaco extremamente atraente e morre sem sequer ter trocado uma palavra com ele. Durante um passeio em Munique, Gustav von Aschenbach, autor consagrado, decide romper com a rotina e partir em viagem chegando em Veneza. Em seu hotel, depara com um adolescente de extrema beleza, de uma família polaca: o jovem Tadzio. O tempo quente e úmido afeta a saúde de Aschenbach, que decide partir, mas a caminho da estação começa a arrepender-se, e quando descobre que a sua bagagem foi encaminhada para o comboio errado e que terá que aguardar o seu retorno, fica satisfeito por poder continuar na proximidade de Tadzio. Embora observe Tadzio obsessivamente, jamais ousa falar com ele, no máximo trocam um olhar furtivo e fugaz um com o outro. Apesar dos sinais de uma epidemia de cólera, que é ocultada pelas autoridades para não prejudicar o turismo, mas que lhe é revelada por um agente de viagens britânico, Aschenbach permanece em Veneza, sacrificando sua dignidade e bem-estar pela experiência imediata da beleza corporificada por Tadzio. Poucos dias depois, Aschenbach descobre que a família polaca planeia partir; vai até a praia onde está Tadzio com um menino mais velho, Jasiu. Os dois rapazes lutam, e Tadzio é facilmente vencido. Com raiva, deixa o seu companheiro e se dirige à parte do mar próxima de Aschenbach. Após contemplar por um momento o mar, dá meia volta para olhar o seu admirador. Para Aschenbach, é como se o menino estivesse a acenar-lhe. Tenta levantar-se e retribuir, no entanto caí morto na sua cadeira. Seu corpo é descoberto minutos depois. "E ainda no mesmo dia, um mundo respeitosamente comovido recebeu a notícia de sua morte."

Oryx e Crake - ATWOOD, Margaret
“No princípio havia o caos.” O Homem das Neves pode ser o último homem na terra, o sobrevivente solitário de um apocalipse sem nome. Quando ainda se chamava Jimmy, ele vivia com os pais nos Complexos, cidadelas fundadas por multinacionais onde a elite financeira do planeta dava seus primeiros e pouco inibidos passos na direção da engenharia genética, na tentativa de atender as constantes demandas dos conglomerados farmacêuticos. Agora, o Homem das Neves vive em um amargo isolamento, sobrevivendo como um pária em seu próprio habitat. Quando não precisa sair em busca de comida em um deserto infestado de insetos, ou encarar a destruição da antiga plebelândia, a terra dos desprivilegiados, hoje povoada pelos animais criados nas experiências transgênicas do passado, seu único prazer está em assistir a filmes antigos em DVD que o fazem lembrar do mundo de outrora e em entreter os Filhos de Crake, crianças de uma nova espécie com estranhas habilidades que o tratam como um ídolo. Como tudo veio abaixo tão depressa? Enquanto o Homem das Neves reconstitui suas lembranças na tentativa de descobrir as origens dessa catástrofe irreversível, sua mente é povoada pelas vozes de seus amigos da juventude, o enigmático Crake e a sedutora Oryx, personagens-chave por trás do Projeto Paradiso, o grande responsável pela modificação definitiva da Terra e a derrocada da espécie humana. O primeiro de uma trilogia que inclui O ano do Dilúvio e se encerra com MaddAddão, Oryx e Crake consolida o retorno de Margaret Atwood ao gênero da ficção científica, em uma narrativa marcada pelas questões éticas e morais sobre o futuro da humanidade, e na qual a verdade está na descoberta dos mundos interiores de seus personagens. Por mais estranho que tudo pareça, o futuro é um cenário assustadoramente familiar.

A peste - CAMUS, Albert
Romance que destaca a mudança na vida da cidade de Orã depois que ela é atingida por uma terrível peste, transmitida por ratos, que dizima sua população. É inegável a dimensão política deste livro, um dos mais lidos do pós-guerra, uma vez que a cidade assolada pela epidemia lembra a ocupação nazista na França durante a Segunda Guerra Mundial. A peste é uma obra de resistência em todos os sentidos da palavra. Narrado do ponto de vista de um médico envolvido nos esforços para conter a doença, o texto de Albert Camus ressalta a solidariedade, a solidão, a morte e outros temas fundamentais para a compreensão dos dilemas do homem moderno.

Salão de beleza - BELLATIN, Mario
A obra narra em poucas páginas como um cabelereiro travesti transforma seu estabelecimento no último abrigo de uma série interminável de jovens vítimas de uma peste incurável. O protagonista, que não tem nome, assim como o lugar onde a história acontece, assiste à agonia simultânea de seus hóspedes e dos peixes de seus aquários sem ter a menor intenção de curá-los, até chegar a sua própria agonia. “Evidentemente não se trata de nenhuma madre Teresa de Calcutá em versão travesti”, explica Bellatin, “pois ele mesmo zomba daqueles que ajudam os doentes com ânimo piedoso, como as freiras ou determinadas organizações solidárias. Sua lógica da morte disfarçada de filantropia pode ser muito perversa, mas seus raciocínios são impecáveis: com sua ajuda, os doentes terminais sofrem menos”. No salão transformado em morredouro não são aceitos nem mulheres nem contaminados sem sintomas, e também não entram remédios.

Um diário do ano da peste - DEFOE, Daniel
Defoe escreveu uma reportagem sobre a epidemia de peste bubônica que dizimou 70.000 vidas em Londres, no ano de 1665. Misturando reportagem e ficção, se esmera em registrar os fatos sem deixar de lado a técnica do escritor, criando personagens, tratando literariamente as cenas, cedendo ao ritmo indispensável de diálogos que recompõem um clima novelesco irresistível. Este livro tem sido modelo, há quase trezentos anos, de um rigor descritivo que não abre mão do olhar apaixonado do repórter. Repórter que não trai a verdade, porém, para melhor recuperá-la, utiliza-se da beleza da forma, acrescentando no texto o que os dados não oferecem.

Lave as mãos e fique em casa
Dicas de leitura baseada na lista da Revista Venture - Pandemics: An Essential Reading List e sugestões de nossos usuários.

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quinta-feira, 5 de março de 2020

Dicas de Leitura - Louisa May Alcott

As Dicas de Leitura de março destacam a escritora norte-americana Louisa May Alcott, conhecida por seu romance semi biográfico “Mulherzinhas” ou "Adoráveis Mulheres", para homenagear todas as mulheres pelo "Dia Internacional da Mulher" no dia 8. 

Louisa_May_Alcott,_c._1870_-_Warren's_Portraits,_Boston.jpgLouisa May Alcott nasceu na Filadélfia em 29 de novembro de 1832. Foi educada pelo pai, o filósofo e educador Amos Bronson Alcott e sua mãe, a assistente social Abby May. Louisa sonhava ser atriz, mas tornou-se escritora. Inspirou-se nas próprias experiências para escrever suas histórias. Desde a juventude, sustentou a família costurando, dando aulas, fazendo serviços domésticos e escrevendo. Foi enfermeira voluntária do Exército num hospital da União durante a Guerra Civil americana, experiência que lhe rendeu material para seu primeiro livro bem-sucedido, Hospital Sketches. Entre 1863 e 1869, publicou anonimamente diversos contos góticos ou sensacionalistas. Participante ativa no movimento pelo sufrágio feminino e no movimento da temperança, Alcott morreu em Boston aos 55 anos.
Obra mestra de Louisa, Mulherzinhas (Little Women) de 1868 apresenta quatro irmãs que crescem durante a Guerra Civil Americana, e retrata a família de classe média com valores morais de civismo e amor à pátria, dedicação extrema ao lar e ao próximo. Obra lançada há mais de 150 anos, nunca deixou de ser publicada, foi traduzida para mais de 50 línguas e várias vezes transformada em filmes para cinema, TV e séries. A oitava adaptação cinematográfica de Mulherzinhas (2019) foi escrita e dirigida por Greta Gerwig, e recebeu várias indicações de premiações como: Oscar 2020 (seis indicações, venceu Melhor figurino), Globo de Ouro 2020 (duas indicações), BAFTA 2020 (cinco indicações, venceu Figurino) e Critics' Choice Awards 2020 (nove indicações, venceu Melhor Roteiro Adaptado). Mulherzinhas teve três continuações escritas por Louisa - Good Wives, Little Men e Jo's Boys; novas traduções estão chegando ao Brasil este ano como Boas Esposas, Homenzinhos e Os Rapazes de Jo.

Hoje em dia, a obra é vista sob a perspectiva do valor das mulheres, mais do que do ponto de vista infanto-juvenil. Na história, as irmãs são educadas pela mãe que, mais do que lhes transmitir valores morais - até pelo exemplo - as incentiva a aceitarem seus defeitos e a aprender a controlá-los.
Louisa May Alcott - capa dos livros

Longa e fatal caçada amorosa
(A long fatal love chase)

Conta a história de Rosamond Vivian, uma jovem que vive isolada numa pequena cidade litorânea, sob as ordens de um avô rigoroso e cruel. Sua vida se transforma com a chegada do aventureiro Phillip Tempest. Homem misterioso e arrogante, dono de uma beleza fria, ele exerce uma atração irresistível sobre a garota, e também se deixa fascinar por ela. Numa noite, ele e o velho avô apostam Rosamond numa mesa de jogo. Tempest vence e a leva com ele, no barco em que passa a maior parte do ano. Entre a humilhação e a ansiedade por uma nova vida, ela acaba por sucumbir ao raptor e aceita casar-se com ele. Mas aos poucos, a máscara de Tempest começa a cair. Mentiras, contradições e silêncios começam a intrigar Rosamond; logo ela descobre que o homem a quem deve chamar de marido é um cínico, violento e gélido criminoso. Apavorada, foge em busca da tão esperada liberdade. Mas Tempest não desiste facilmente. Está disposto a buscar a mulher de qualquer jeito, ainda que isso custe uma vida, a sua ou a dela.

Mulherzinhas (Little women)

As quatro irmãs March são muito diferentes entre si. A já adulta Meg; Jo, a moleca impulsiva; Beth, tímida e introvertida; e Amy, a precoce caçula. Mas com o pai longe de casa, na guerra, e a mãe trabalhando para sustentar a família, elas precisam cooperar e apoiar umas às outras. Encenam peças, fundam sociedades secretas, preparam os festejos de Natal, dão os primeiros passos na sociedade adulta e aprendem o valor da amizade verdadeira. É com o coração pleno que acompanhamos as dúvidas, as aventuras e desventuras dessas adoráveis meninas, nesta história atemporal emocionante que nos faz vibrar e sorrir.

As mulherzinhas crescem (Little women - segunda parte: Good wives)

O livro continua acompanhando as irmãs March - Jo, Amy, Beth e Meg -, cada vez mais crescidas e "mulherzinhas". A guerra civil acabou, mas elas continuam indo atrás de seus sonhos, sejam eles casamento ou publicações. Vitórias, tragédias, assim como é a vida ela continua ocorrendo na família March.

Oito primos: romance (Eight cousins)

Rose é uma garota frágil e doente que, depois de ficar órfã, vai morar temporariamente com duas tias solteironas e ricas enquanto aguarda seu tutor legal, o tio Alec, voltar do exterior. A chegada do tio transforma completamente o ambiente sério da casa e, com suas ideais de saúde e educação pouco convencionais, ele, aos poucos, ganha a confiança da sobrinha e o respeito das irmãs. Criada apenas na companhia do pai, Rose se sente perdida em meio a tantos tios, tias e primos, mas é ali, cercada por sua numerosa e barulhenta família, que ela aprende a conviver com as diferenças, faz amizades e começa a ver o mundo com outros olhos.

Obras baseadas em "Mulherzinhas" de Louisa May Alcott

As filhas do Dr. March – adaptação de Herberto Sales
São quatro irmãs de aspirações e temperamentos diversos, mas muito unidas. Cada uma constrói seu romance particular e a pobreza e os duros trabalhos domésticos não as impedem de sonhar seus próprios sonhos. São diversos e imprevistos os caminhos que trilham para realizá-los, mas o amor que as uniu tão profundamente, durante tantos anos de convivência na casa paterna lhes dá força para seguir cada qual seu próprio destino. Uma história de quatro vidas, ou quatro histórias vividas, onde cada jovem leitora verá refletida sua própria história. Recontado em Português por Herberto Sales do original "Little Women" de Louisa May Alcott.

As garotas Spring
- Anna Todd

Uma releitura do clássico mulherzinhas, de Louisa May Alcott. Uma história de amor entre quatro irmãs. Em uma família aparentemente perfeita de Nova Orleans, nos Estados Unidos, vivem quatro garotas: Meg, Jo, Beth e Amy. Por mais que cada uma delas tenha características diferentes e bem definidas, o fato de serem filhas de um pai militar, combatente no Iraque, e de uma mãe desgastada por suas responsabilidades familiares, tornam seus medos muito semelhantes.

Pequenas mulheres vampiras
- Lynn Messina (adaptadora)
As doces e adoráveis irmãs March estão de volta e Marmee, matriarca da família, disse para elas serem boas meninas. Boas vampirinhas, na verdade. Isso mesmo: Meg, Jo, Beth e Amy cresceram desde a última vez que você leu sua história, e agora a vida delas é (muito) mais longa e seu apetite é (muito) mais voraz. Marmee ensinou-lhes bem, assim, elas vivem sob um código moral sem precedentes de abstinência de... sangue humano. As garotas devem cooperar, fazer da sociedade um lugar melhor e evitar os caça-vampiros que representam ameaça constante à suas vidas. E mais, Laurie está "morrendo" de vontade de entrar para a família March. Algumas coisas nunca mudam. Esta horripilante - e hilária - versão do eterno clássico americano deixará os leitores com uma sede insaciável por drama a cada página.

Outras obras:


Rosa em flor,
A rapaziada de Jô (recontada por M. Z. Camargo), A surpreendente Louisa May Alcott - Betty Silberstein
Alcott-mulherzinhas

Leia mais sobre a vida da autora e seus romances na Wikipédia em Louisa May Alcott; Little Women

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Atenção: o link do título é elaborado por um ISBN para facilitar o direcionamento para o catálogo online. Pesquise também pelo autor, título ou assunto para localizar outras edições e as bibliotecas.

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Veja aqui outras Dicas de leitura.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Dicas de Leitura – Prêmios Literários 2019

Premio Jabuti
Prêmio Jabuti
O Prêmio Jabuti é o mais tradicional prêmio literário do Brasil, concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Criado em 1959, foi idealizado por Edgard Cavalheiro quando presidia a CBL. 
Conto: Vilma Arêas

Crônica:
Fernanda Young
Veja também as Dicas de Leitura – Fernanda Young
https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/noticias/?p=26551

Histórias em Quadrinhos: Rafael Calça, Jefferson Costa (ilustrador)

Infantil:
Júlia Medeiros, Elisa Carareto (ilustradora)

Juvenil e Ilustração:
Lúcia Hiratsuka

Poesia:
Hilda Machado

Romance: Tiago Ferro

Biografia, Documentário e Reportagem:Joselia Aguiar

Ciências: Ivair Gontijo

Prémio Camões
Prémio Camões (português europeu) ou Prêmio Camões (português brasileiro) instituído pelos governos do Brasil e de Portugal em 1988, é atribuído aos autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa.
Chico Buarque  recebeu o "Prêmio Camões de Literatura 2019"
Chico Buarque
Veja também as Dicas de Leitura - Chico Buarque e Camões de junho de 2019
https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/noticias/?p=25895
Premio Literário Fundação Biblioteca Nacional
Premio Literário Fundação Biblioteca Nacional
O Prêmio Literário da Fundação Biblioteca Nacional foi criado em 2005. São concedidos anualmente os autores das melhores obras publicadas no Brasil no ano anterior.
Categoria Conto
Elvira Vigna

Categoria Ensaio Literário
José Miguel Wisnik

Categoria Ensaio Social
Heloisa M. Starling

Categoria Literatura Infantil
Roger Mello (também Prêmio Jabuti categoria Projeto Gráfico)

Categoria Literatura Juvenil
Penélope Martins

Categoria Poesia
Paulo Henriques Britto 
Prêmio Oceanos de Literatura
Prêmio Oceanos de Literatura
O Oceanos-Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa (conhecido até 2014 como Prêmio Portugal Telecom de Literatura) é considerado um dos prêmios literários mais importantes entre os países de língua portuguesa.
Djaimilia Pereira (1º lugar)
Dulce Maria Cardoso (2º lugar)
Nara Vidal (3º lugar)

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